sexta-feira, 15 de maio de 2020

Capítulo 13 - Tudo Que É Proibido



Lizzy estava parada em frente a porta do quarto de Jack, com o braço estendido e a mão em punho, decidindo se deveria bater ou não. Ela queria vê-lo com seus próprios olhos para se certificar de que ele estava mesmo bem. Apesar das garantias de Angelina, ainda tinha uma parcela de culpa que fazia seu coração disparar e seu estômago revirar.
Mas ela não tinha certeza se ele queria vê-la. Ela notou que ele parecia distante quando estavam voltando da Ilha de Garden, mas depois ele correu para salvá-la e até se colocou em risco. Ao mesmo tempo em que ela queria agradecê-lo, ela também queria sair correndo.
Por fim, ela decidiu que precisava de um pouco de ar puro. E nada melhor que fazer isso tendo uma bela vista de Nova York, lá do terraço. E foi para onde Lizzy foi.
E foi lá, também, que ela viu uma figura alta e magra, o corpo inclinado para frente, apoiando-se no parapeito. Lizzy esperou até seguir na direção da pessoa em questão e não demorou muito para descobrir que era Jack.
Lizzy parou ao lado dele, as mãos inquietas no parapeito. Ela se atreveu a olhar de esguelha para ele. Estava descalço e sem camisa, o dorso e os braços cobertos com feridas e arranhões vermelhos.
— O que você está fazendo aqui? — ela finalmente perguntou. — Angelina disse que você ficaria bem pela manhã. Mas não sabia que...
— Angelina se preocupa demais — Jack interrompeu. — Eu estou bem.
A voz dele estava fria e distante.
— Eu também vim aqui para ficar sozinho — ele continuou.
Lizzy sentiu a voz afiada dele e se retraiu. Alguma coisa estava diferente nele e ela ansiava para saber o que era.
Jack se virou para ela e ela se virou para ele. No peito dele, estava um enorme ferimento, coberto por um curativo feito ao redor do dorso dele. O cabelo loiro estava bagunçado, alguns fios na testa, outros para o lado e até alguns em pé. A sombra da barba por fazer dele já estava maior. Todas aquelas coisas deixavam Jack mais velho.
— Mas você não quer me deixar sozinho — observou Jack.
— Eu... Eu queria te agradecer. Você me salvou.
— Como todas as outras vezes.
Jack encarava Lizzy profundamente. Ora ou outra, ele concentrava seu olhar na região dos lábios de Lizzy, deixando-a envergonha e com que desviasse o olhar.
— Tem outra coisa também — ela disse, se forçando a olhar para ele novamente. Jack continuou a encará-la. — Você parecia diferente. Antes do ataque.
Jack desviou o olhar e tornou a olhar para o horizonte. Quando Lizzy achou que ele não responderia, ele se voltou para ela.
— Algumas coisas acabaram acontecendo de uma forma que eu não esperava — respondeu ele. — Não posso dizer que não me senti... — ele parecia estar procurando uma palavra adequada. — Eu me senti muito frustrado.
— Por quê? — Lizzy perguntou rapidamente. Logo, ela se arrependeu e teve medo de ter sido muito evasiva, já que os dois só se conheciam a alguns dias.
Jack soltou um pequeno sorriso.
— Você está muito curiosa.
Ele se aproximou mais dela e agora Lizzy conseguia ouvir o barulho da respiração alta dele. A boca dele estava entreaberta e seus olhos ficaram ali durante algum tempo. Era tão desenhada e tão vermelha. Ela até imaginou...
Não, não podia. Virou seu olhar para longe, mas Jack colocou a mão no queixo dela, forçando-a a voltar seu olhar para ele.
— Eu vi para onde você estava olhando — disse ele.
— Nova York fica linda vista daqui de cima — Lizzy indagou rapidamente.
Jack riu.
— É mesmo.
Não era muito difícil Lizzy ficar nervoso perto de um garoto na qual ela tinha algum interesse. Era uma característica muito presente nela. Foi a primeira vez que se ela se deu conta de que realmente tinha algum interesse em Jack.
Mas seria só um beijo, só um momento entre eles? Agora, ela sabia, assim como ele também sabia, que os dois eram diferentes, eram opostos. Ela fazia magia e ele combatia magia. Se ela escolhesse fazer o tipo certo de magia, eles não seriam 100% opostos, mas ainda sim, as chances de haver algum futuro...
Lizzy quis xingar ao pensar que estava pensando muito além. Jack só estava jogando seu charme para cima dela, como sempre fazia.
Mas por que daquela vez, ele não parava de encará-la? Por que ele insistia em manter aquele clima intenso? Nunca havia sido assim.
Todos aqueles pensamentos passaram na mesma velocidade do que o carro de corrida e ela não tinha muito controle sobre seus sentimentos naquela hora.
— Eu prefiro olhar para você — Jack disse, acariciando o rosto de Lizzy com uma das mãos. — É muito mais linda.
Então ele a achava linda. Então, poderia ser algo a mais do que uma brincadeira dele.
— Você sempre joga seu charme assim, para cima de todas as garotas que conhece? — Lizzy perguntou, o tom de voz afiado. — Parece ser tão fácil para você.
Sim, é fácil — respondeu ele. — Mas acho que para você também.
Lizzy franziu o cenho.
— Como assim?
Jack não respondeu. Ao invés disso, ele colocou as mãos na cintura de Lizzy, puxando-a para ele. Ela resmungou baixinho, surpresa pelo toque íntimo e pelo fato de que eles estavam tão próximos. Ele era muito mais alto do que ela, mas quando ele inclinou a cabeça para baixo e ela, levantou a cabeça, eles estavam a poucos centímetros de se tocarem.
— É só você dizer que sim, anjinho — ele sussurrou. — E nós vamos caminhar para o paraíso e deu um riso baixinho, quase inaudível.
— Sim — ela implorou.
Então, os lábios dele se tocaram e eles estavam se beijando. O primeiro toque foi suave. Levemente, Jack abriu os lábios dela com a língua e, lentamente, entrelaçou sua língua na dela. As mãos de Lizzy subiram para o cabelo de Jack e ela os agarrou, sem saber o quanto queria fazer aquilo. Já as mãos de Jack trabalhavam na cintura da menina, mantendo-a bem próxima a ele.
O beijo passou de suave para cheio de desejo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário