Lizzy estava parada em frente a
porta do quarto de Jack, com o braço estendido e a mão em punho, decidindo se
deveria bater ou não. Ela queria vê-lo com seus próprios olhos para se
certificar de que ele estava mesmo bem. Apesar das garantias de Angelina, ainda
tinha uma parcela de culpa que fazia seu coração disparar e seu estômago
revirar.
Mas ela não tinha certeza se ele
queria vê-la. Ela notou que ele parecia distante quando estavam voltando da
Ilha de Garden, mas depois ele correu para salvá-la e até se colocou em risco.
Ao mesmo tempo em que ela queria agradecê-lo, ela também queria sair correndo.
Por fim, ela decidiu que
precisava de um pouco de ar puro. E nada melhor que fazer isso tendo uma bela
vista de Nova York, lá do terraço. E foi para onde Lizzy foi.
E foi lá, também, que ela viu uma
figura alta e magra, o corpo inclinado para frente, apoiando-se no parapeito.
Lizzy esperou até seguir na direção da pessoa em questão e não demorou muito
para descobrir que era Jack.
Lizzy parou ao lado dele, as mãos
inquietas no parapeito. Ela se atreveu a olhar de esguelha para ele. Estava descalço
e sem camisa, o dorso e os braços cobertos com feridas e arranhões vermelhos.
— O que você está fazendo aqui? —
ela finalmente perguntou. — Angelina disse que você ficaria bem pela manhã. Mas
não sabia que...
— Angelina se preocupa demais —
Jack interrompeu. — Eu estou bem.
A voz dele estava fria e
distante.
— Eu também vim aqui para ficar
sozinho — ele continuou.
Lizzy sentiu a voz afiada dele e
se retraiu. Alguma coisa estava diferente nele e ela ansiava para saber o que
era.
Jack se virou para ela e ela se
virou para ele. No peito dele, estava um enorme ferimento, coberto por um
curativo feito ao redor do dorso dele. O cabelo loiro estava bagunçado, alguns
fios na testa, outros para o lado e até alguns em pé. A sombra da barba por
fazer dele já estava maior. Todas aquelas coisas deixavam Jack mais velho.
— Mas você não quer me deixar
sozinho — observou Jack.
— Eu... Eu queria te agradecer.
Você me salvou.
— Como todas as outras vezes.
Jack encarava Lizzy
profundamente. Ora ou outra, ele concentrava seu olhar na região dos lábios de
Lizzy, deixando-a envergonha e com que desviasse o olhar.
— Tem outra coisa também — ela
disse, se forçando a olhar para ele novamente. Jack continuou a encará-la. —
Você parecia diferente. Antes do ataque.
Jack desviou o olhar e tornou a
olhar para o horizonte. Quando Lizzy achou que ele não responderia, ele se
voltou para ela.
— Algumas coisas acabaram
acontecendo de uma forma que eu não esperava — respondeu ele. — Não posso dizer
que não me senti... — ele parecia estar procurando uma palavra adequada. — Eu me
senti muito frustrado.
— Por quê? — Lizzy perguntou
rapidamente. Logo, ela se arrependeu e teve medo de ter sido muito evasiva, já
que os dois só se conheciam a alguns dias.
Jack soltou um pequeno sorriso.
— Você está muito curiosa.
Ele se aproximou mais dela e agora
Lizzy conseguia ouvir o barulho da respiração alta dele. A boca dele estava
entreaberta e seus olhos ficaram ali durante algum tempo. Era tão desenhada e
tão vermelha. Ela até imaginou...
Não, não podia. Virou seu olhar
para longe, mas Jack colocou a mão no queixo dela, forçando-a a voltar seu olhar
para ele.
— Eu vi para onde você estava
olhando — disse ele.
— Nova York fica linda vista daqui
de cima — Lizzy indagou rapidamente.
Jack riu.
— É mesmo.
Não era muito difícil Lizzy ficar
nervoso perto de um garoto na qual ela tinha algum interesse. Era uma característica
muito presente nela. Foi a primeira vez que se ela se deu conta de que realmente
tinha algum interesse em Jack.
Mas seria só um beijo, só um
momento entre eles? Agora, ela sabia, assim como ele também sabia, que os dois
eram diferentes, eram opostos. Ela fazia magia e ele combatia magia. Se ela
escolhesse fazer o tipo certo de magia, eles não seriam 100% opostos, mas ainda
sim, as chances de haver algum futuro...
Lizzy quis xingar ao pensar que
estava pensando muito além. Jack só estava jogando seu charme para cima dela,
como sempre fazia.
Mas por que daquela vez, ele não
parava de encará-la? Por que ele insistia em manter aquele clima intenso? Nunca
havia sido assim.
Todos aqueles pensamentos
passaram na mesma velocidade do que o carro de corrida e ela não tinha muito
controle sobre seus sentimentos naquela hora.
— Eu prefiro olhar para você —
Jack disse, acariciando o rosto de Lizzy com uma das mãos. — É muito mais
linda.
Então ele a achava linda. Então,
poderia ser algo a mais do que uma brincadeira dele.
— Você sempre joga seu charme
assim, para cima de todas as garotas que conhece? — Lizzy perguntou, o tom de
voz afiado. — Parece ser tão fácil para você.
— Sim,
é fácil — respondeu ele. — Mas acho que para você também.
Lizzy franziu o cenho.
— Como assim?
Jack não respondeu. Ao invés
disso, ele colocou as mãos na cintura de Lizzy, puxando-a para ele. Ela resmungou
baixinho, surpresa pelo toque íntimo e pelo fato de que eles estavam tão próximos.
Ele era muito mais alto do que ela, mas quando ele inclinou a cabeça para baixo
e ela, levantou a cabeça, eles estavam a poucos centímetros de se tocarem.
— É só você dizer que sim,
anjinho — ele sussurrou. — E nós vamos caminhar para o paraíso — e deu um riso baixinho, quase inaudível.
— Sim — ela implorou.
Então, os lábios dele se tocaram
e eles estavam se beijando. O primeiro toque foi suave. Levemente, Jack abriu
os lábios dela com a língua e, lentamente, entrelaçou sua língua na dela. As
mãos de Lizzy subiram para o cabelo de Jack e ela os agarrou, sem saber o
quanto queria fazer aquilo. Já as mãos de Jack trabalhavam na cintura da
menina, mantendo-a bem próxima a ele.
O beijo passou de suave para cheio
de desejo.
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